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    April 25

    ENTREVISTA AO JORNAL DE NOTÍCIAS - 25 DE ABRIL DE 2006

     
     
    «Escrevo para tentar atingir a totalidade"
       Devoção pelos livros 


    Sérgio Almeida, J.N., 25 de Abril de 2006

    O romance "As minhas folhas não caíram dessa árvore que és tu" e o livro infanto-juvenil "SOS Plutão" são os novos títulos de Lúcia Vaz Pedro, autora que, com dois anos de publicação, regista um núcleo cada vez mais numeroso de leitores fiéis. As sessões de lançamento informais e a escrita poética e elegante são duas das principais singularidades da autora natural de Vila Nova de Gaia.


    Vê no acto da escrita a possibilidade de abarcar novas realidades e horizontes. Aos 38 anos, Lúcia Vaz Pedro pode ter publicado pela primeira vez apenas em 2004, mas a literatura é, desde sempre, uma faceta indissociável da sua vida. "As minhas folhas não caíram dessa árvore que és tu" e "SOS Plutão" (ambos publicados pela Ideias & Rumos) são os seus novos títulos.



    Jornal de Notícias|A par da exaltação de paixões, os seus livros são também uma celebração da vida. É deste modo que os encara?
    Lúcia Vaz Pedro| A vida é uma vaidade dos homens. No que escrevo, procuro o reflexo desse espelho. É à volta dela que a minha escrita gira, numa força centrífuga e abismal, pois, já que não tenho respostas para a vida, encontro os seus motivos, aqueles de que o Homem se deveria orgulhar a Natureza, as paixões, a força anímica que nos move, a maternidade, a essência. Em todos os livros, também existe a dor, a mágoa, o sofrimento, mas reorganizo-os para que deles se consiga recolher uma aprendizagem.



    Escrever é, para si, como já foi dito uma necessidade urgente e um grito existencial?
    A escrita entristeceu-me, mas, simultaneamente, consciencializou-me. No que escrevo, procuro soluções existenciais acerca da vida e da morte. Essas dúvidas angustiam-me, por isso procuro, nas diferentes religiões e filosofias, as respostas. Então, sou surpreendida pela fé, que, como uma candeia, me ilumina as palavras, que perpassam todos os livros. Porém, continuo a sentir esse desassossego, que me grita para que escreva muito mais, numa tentativa - que eu sei ser apenas isso - de conseguir a totalidade.



    As sessões de lançamento dos seus livros não primam pelo convencionalismo. É o desejo de proximidade, já patente nos seus livros, que a levou a optar por essa via?
    Há vários motivos que me impulsionam à proximidade dos leitores. Primeiro, porque quero dar-me a conhecer. Em seguida, porque, nos meus livros, a essência está nas personagens que conduzem as histórias e é no contacto com as pessoas que me aprumo na análise da condição humana e me enlaço nas suas vidas e recolho os motivos de orgulho e de vaidade por estar viva. Por último, quero 'desdivinizar' a condição de escritor. Sou tão humana quanto os que me lerem e é com eles que poderei discutir e modelar as minhas personagens.


    O que extrai desse contacto com os leitores?
    Quase sempre grandes amizades. Já as semeei pelo país fora. Algumas já me procuram de uns livros para os outros e eu sinto que as mensagens de esperança vão correndo de boca em boca, lenta mas firmemente.


    Olhando para os seus primeiros livros, que sensações a assaltam?
    Não sinto prazer de folhear os livros que terminei. Já não são meus; são do Mundo. Por isso, recolho as alegrias no contacto com os leitores, que quero sempre junto a mim.

     
     
     

    "Escrevo para tentar atingir a totalidade"

    Natural de Vila Nova de Gaia, Lúcia Vaz Pedro é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Além de leccionar na na Escola Secundária de António Sérgio, em Vila Nova de Gaia, tem vários trabalhos publicados na área do Ensino e é formadora de professores na área da língua materna. A escrita é, porém, a grande paixão. Uma evidência por demais patente nos quatros livros já publicados, nos quais o fascínio pela palavra entrelaça-se com o desejo de captar a natureza humana em todas as suas contradições. O resultado é uma escrita polvilhada de sensações, a que se torna difícil ficar indiferente. - Sérgio Almeida, J.N.